O
PMDB e o fisiologismo político
Dejalma Cremonese
A máxima política que diz “se
hay gobierno soy contra” pode ser facilmente invertida na
ótica peemedebista para “se hay gobierno soy a favor”
tal a vocação governista (fisiológica) e
adesista do partido.
Provindo do antigo MDB (Movimento Democrático Brasileiro),
partido de oposição durante a ditadura militar (1964-1985),
o PMDB é, nos nossos dias, o maior partido brasileiro.
Possui 93 deputados federais – a maior bancada no Congresso
Nacional, administra o maior número de estados, no total
de 7 governadores (SC, PR, MS, RJ, ES, TO, AM), e 5 vice-governadores.
É a primeira força no Senado Federal com 20 senadores.
Possui 170 deputados estaduais, administra 4 prefeituras de capitais,
além de 1.071 prefeituras por todo o Brasil (em torno de
20%), mais de 900 vice-prefeituras, 8.308 vereadores eleitos e
conta com um milhão e oitocentos mil filiados, aproximadamente.
No espectro político, o PMDB se situa no campo ideológico
de centro, ou seja, procura manter o status quo (situação
vigente), fazendo “reformas” para deixar as coisas
como estão. Muitas são as facetas do partido: quando
falamos do PMDB do Simon ou do Rigotto (Sul), do Quércia,
Garotinho e Cabral (Sudeste), ou do Sarney, Temer e Calheiros
(Norte e Nordeste), estamos falando de diferentes peemedebês.
No entanto, as decisões tendem a ser unânimes quando
estão em jogo os interesses do partido. Um exemplo de fisiologismo
explícito foi o caso do voto dos senadores peemedebistas
contra a MP que criava a Secretaria de Longo Prazo (SALOPRAZ).
O que se pleiteava, no caso, era um maior espaço no governo
Lula.
O fisiologismo não é uma particularidade apenas
do PMDB, no entanto, é o partido em que mais transparece
essa característica por buscar, de qualquer forma, a manutenção
do poder, independente de quem esteja no poder. Assim, segundo
o Dicionário Houaiss, entende-se o termo “fisiologismo”
como a conduta ou prática de certos representantes e servidores
públicos que visa à satisfação de
interesses ou vantagens pessoais ou partidários, em detrimento
do bem comum. Ou seja, o fisiologismo está muito próximo
do clientelismo político que é um tipo de relação
de poder em que as ações políticas e decisões
são tomadas em troca de favores, favorecimentos e outros
benefícios a interesses individuais.
Fisiologista ou não, o certo é que nenhum partido
que chegue ao poder hoje, no Brasil, pode prescindir da participação
do PMDB. Aliás, o partido está ali para isso mesmo.
A vocação governista do PMDB vem de longa data.
Desde a abertura democrática em 1985, com Sarney, bem como
na expressiva vitória do partido em 1987, elegendo 21 governadores
em todo o Brasil. O PMDB esteve no poder com Itamar Franco (que
começou sua carreira política no antigo MDB, embora
tivesse passado pelo PL e ingressado, mais tarde, no PRN, para
ser vice de Collor de Mello em 1989), assumiu a presidência
após o impeachment de Collor. Em seguida, o PMDB apoiou
incondicionalmente o governo de FHC (nos dois mandatos) e, agora,
ocupa um espaço privilegiado no governo Lula, tendo a administração
de 4 ministérios: Nelson Jobim (RS) no Ministério
da Defesa, Reinhold Stephanes (PR) no Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, Hélio Costa (MG) no Ministério
das Comunicações, José Gomes Temporão
(RJ), no Ministério da Saúde e, até bem pouco
tempo atrás, o ministério de Minas e Energia, era
ocupado por Silas Rondeau Cavalcanti (que pediu demissão
por ter seu nome envolvido na “Operação Navalha”),
por outro lado, o PMDB luta por ter novamente este ministério.
Seguindo nesta mesma lógica, é bem provável
que, em 2010, o PMDB nem venha a lançar candidato à
Presidência da República, ficará na cômoda
posição de apoiar o novo presidente eleito. Claro,
para isso, pleiteará os cargos que achar necessários
para continuar onde sempre esteve, no poder.
O autor é cientista político.
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